O Coletivo

O Coletivo Eletrorgânico e o Festival Eletrorgânico

Nosso evento é um pouco diferente; ele é um festival, mas é também é um encontro cultural e espiritual, onde a ecologia é o caminho. Nós trabalhamos com populações tradicionais, caiçaras e indígenas, na luta pela terra, pela agricultura familiar. Também temos parcerias com ocupações urbanas e assentamentos da reforma agrária na busca pela construção de escolas, pelo uso de plantas medicinais e pelo resgate da história dos povos nativos.

Conhecemos uma realidade de muita injustiça e sofrimento, mas sabemos que quanto mais alto o muro, maior é o visual quando a gente sobe nele! Então pra combater essa realidade, a gente investe na espiritualidade, na pesquisa com os pajés, com os líderes comunitários, com as velhas erveiras. Eles são nossos gurus, por assim dizer.
Nós confiamos em nosso caminho pelas bençãos que já recebemos como confirmação!!! Porque fazemos tudo com muito amor e muita fé na transformação individual e coletiva que buscamos.

Temos uma escola, a Escola da Mata Atlântica – Centro de Estudos de Plantas Medicinais, Agroecologia e Cultura Livre, lá em Aldeia Velha. Lá temos nossa "Casa das Sementes Tradicionais" onde guardamos, trocamos e multiplicamos as sementes indígenas, porque estão em extinção pelas sementes transgênicas, que são estéreis, obrigando o pequeno agricultor a ser um escravo das lojas de sementes multinacionais. Lá, também iniciamos uma pesquisa com software livre, pela busca de códigos públicos e confiáveis, onde possamos exercer liberdade plena através da internet, por exemplo,  que pode nos ser tão útil.

Tudo isso, porque propagamos a profecia dos Guerreiros do Arco-Íris, que foi profetizada por uma velhinha Cree, norte americana, a qual diz: "Haverá um dia em que os peixes morrerão nos rios, os passaros cairão do céu... O espírito do povo vermelho vai morrer, mas vai renascer para ensinar ao povo branco o respeito à natureza. E por nascerem nos diferentes povos da terra, e por serem de muitas cores, serão conhecidos como os Guerreiros do Arco Íris."

Nós acreditamos em uma Nova Era de amor, de paz e de justiça. Não somos religiosos, mas para nós a espiritualidade é muito importante nessa mudança de paradigmas, assim como plantar nosso próprio alimento, viajar, mas também ter um lar e fazer nossas casas.

Ainda não chegamos nem em um terço dessas nossas buscas, ainda moramos nas cidades, vamos aos supermercados, mas pouco a pouco vamos colhendo das nossas hortas, da nossa Canaã, nossa comunidade alternativa em Aldeia Velha (uma pequenina vila nas montanhas de cachoeiras perto do Sana) passando mais tempo com nossos mestres, entendendo mais o que eles têm a nos dizer... Esses caboclos em casas de sapé no alto das serras, nesses índios guerreiros que lutam pela terra, nos mendigos que ocupam prédios abandonados nas cidades, nas crianças do interior dos campos... e nas crianças das cidades também!

Juntos podemos unir mais pontos dessa ciranda de amor e luz. Isso tudo para explicar igualmente, que ninguém ganha nada nesse festival, porque todo o dinheiro vai para os projetos da nossa escola e de nossa comunidade que são a nossa forma de propor novos caminhos fora desses já tão desgastados. Sabemos que a realidade da sobrevivência é dura, mas resolvemos acreditar no infinito das possibilidades, e já que tantas pessoas legais já participaram com a gente nessa jornada, a Lia de Itamaracá, Dona Selma do Coco, a Luciane Menezes, o Digital Dubs, o Songorocosongo até o Carlos Malta, percebemos que o caminho do sonhar, também é o caminho da realização.

 Namastê!!

Layout personalizado por Eline